Ébola. União Africana promete vacina contra a estirpe Bundibugyo ainda em 2026

Ébola. União Africana promete vacina contra a estirpe Bundibugyo ainda em 2026

O responsável da agência de saúde da União Africana (Africa CDC) anunciou esta quinta-feira que irá estar disponível, ainda este ano, uma vacina contra a estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, responsável pelo novo surto de febre hemorrágica na República Democrática do Congo (RDC) e no Uganda.

RTP /
Jean Kaseya, responsável da agência de saúde da União Africana (Africa CDC) Foto: Arsene Mpiana - Reuters

"O que temos a certeza é que, até ao final de 2026, o Africa CDC irá garantir que temos uma vacina e um tratamento para o Bundibugyo", afirmou Jean Kaseya, durante uma conferência de imprensa online.

Na ausência de uma vacina e de um tratamento aprovados para a estirpe Bundibugyo do vírus responsável pelo actual surto, as medidas para tentar conter a sua propagação têm dependido sobretudo da adesão às medidas preventivas e da detecção rápida dos casos.

Kaseya revelou ainda, com indignação, que as promessas de doações, feitas segunda-feira, pelos parceiros do Africa CDC, desceram para metade do valor inicial de 500 milhões de dólares.

O valor diminuiu para cerca de 290 milhões de dólares, depois de vários doadores terem mudado de ideias, disse Kaseya, sem os nomear.

"As pessoas estão a morrer! Como é que podemos dizer: 'comprometemos X milhões de dólares', e no dia seguinte ligam-me a dizer que não, que foi um erro?", questionou Kaseya.

"Sabemos que algumas grandes instituições globais de saúde têm milhares de milhões de dólares em caixa. Como podem dizer: 'quero que se concentrem neste programa de desenvolvimento, e tenho dinheiro para isso, mas não tenho dinheiro para o Ébola?'"

Em declarações aos jornalistas, Kaseya elogiou também o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) por terem concordado em redireccionar fundos para apoiar a resposta à pandemia.
EUA investem

Washington anunciara pouco antes o investimento de mais 80 milhões de dólares para combater o Ébola na RDC e no Uganda. Com esta nova contribuição financeira, àparte da Organização Mundial de Saúde, que os Estados Unidos abandonaram por ordem do presidente Donald Trump, a ajuda americana ao combate ao Ébola totaliza aproximadamente 112 milhões de dólares desde o início do surto.

Em comunicado, o Departamento de Estado dos EUA, sublinhou que o objetivo é "proteger o povo americano e prevenir a propagação internacional".

"Estas novos meios permitirão aos parceiros implementadores ampliar as seguintes atividades críticas de resposta: a compra e distribuição de equipamento de proteção, rastreio e vigilância de fronteiras, rastreio de contactos e o fornecimento de equipamento de diagnóstico", acrescentou o comunicado publicado esta quinta-feira.

Na quarta-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou que os Estados Unidos não permitiriam a entrada de qualquer caso de Ébola no seu território.

Um dos passos dos Estados Unidos para controlar o vírus é a abertura de um centro de quarentena no Quénia, para casos suspeitos ou confirmados de Ébola, principalmente de cidadãos dos EUA. 

Dois responsáveis norte-americanos afirmaram esta quinta-feira à agência Reuters que já tinham obtido a autorização para instalarem o centro, com 50 camas, numa base aérea em Lakipia, no centro do país.

Nenhuma autoridade queniana confirmou até agora a autorização.
Ghebreyesus no terreno

As autoridades de saúde do Congo e dos países vizinhos estão a esforçar-se para conter o mais recente surto da rara estirpe Bundibugyo, para a qual não existe até nem vacina nem tratamento. 

O surto, o terceiro maior de que há registo, está a superar a resposta mundial. A abordagem, que depende da identificação e isolamento de potenciais casos para controlar a propagação da doença, está atrasada semanas, senão meses, e a OMS declarou uma emergência de saúde pública de importância internacional.
O responsável pela Organização Mundial de Saúde iniciou esta quinta-feira uma visita ao epicentro do surto na República Democrática do Congo. 


"Este país derrotou o Ébola 16 vezes. A 17ª não será diferente. Mas precisamos de agir agora, em conjunto", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Tedros deverá chegar a Kinshasa na quinta-feira e depois viajará para a província de Ituri, no nordeste do Congo, onde foram reportados os primeiros casos de ébola e o vírus circula há semanas.
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